18/04/2021

CONEXÃOJARU

CONECTADO COM VOCÊ(69)984310175

PM relembra de tiro de fuzil em RO

PM lembra da emboscada há seis meses: ‘Senti o gosto da pólvora na boca’

Equipe que o tenente Ferraz fazia parte havia ido à fazenda para resgatar o corpo do tenente da reserva José Figueiredo Sobrinho, morto por criminosos no local. Ação aconteceu há seis meses em uma fazenda em Mutum-Paraná. A Delegacia de Homicídios da capital investiga o caso.

O tiroteio que aconteceu em uma fazenda de Mutum-Paraná, distrito de Porto Velho, onde dois policiais foram mortos em outubro de 2020, deixou um sobrevivente. O tenente Fredson Ferraz foi atingido por uma bala de fuzil no abdômen durante o confronto, teve que passar por três cirurgias e precisou retirar mais de cinco metros de intestino.

Ao G1, o policial contou que, após os procedimentos cirúrgicos, teve que usar três bolsas de colostomia e suplementação de uma sonda adaptada.

No dia do tiroteio, o tenente Ferraz fazia parte de uma das equipes da PM que se deslocou até a fazenda para resgatar o corpo do tenente da reserva José Figueiredo. Na ocasião, eles foram emboscados e recebidos a tiros na propriedade. Ferraz foi atingido assim que chegou no local, segundo ele, por um bala de fuzil.

“Quando ouvi o barulho de tiro eu já senti o gosto da pólvora na boca. Ali entendi que fui atingido”.

Com o ferimento na região do abdômen, Ferraz conta que buscou abrigo para revidar os ataques.

“Fiquei atrás de uma árvore. Me lembro de muitos tiros, tanto que eu não conseguia colocar a cabeça para fora da árvore, pois não tinha condições de ver. Eram tiros vindo de muitos locais. Até a hora em que consegui colocar o cano do fuzil para o lado de fora e efetuei disparos também, mas eles se prepararam bem. Eles conheciam a área deles. Emboscaram a gente em uma situação em favorável para eles”.

Ferraz lembra que o tiroteio durou cerca de 10 minutos, sem cessar. Ele conta que, no momento em que percebeu que podia sair e procurar socorro médico, recebeu ajuda de outro colega de equipe.

“Fiz três disparos de fuzil para ver se eles iam responder, como não teve a resposta, peguei no pescoço do parceiro, passei o armamento para os outros que ficaram e saímos de lá”.

Árvore onde o PM se abrigou após ter sido atingido com a bala de fuzil — Foto: arquivo pessoal

Árvore onde o PM se abrigou após ter sido atingido com a bala de fuzil — Foto: arquivo pessoal

Até chegar na viatura da polícia, Ferraz diz que não sabia o quão grave era o ferimento. Ele lembra que ficou acordado por cerca de 40 minutos, mas por conta da dor, chegou a desmaiar.

“Dentro da viatura tirei o colete. Vi que tinha furado as duas placas do colete. Deduzi que a bala era de fuzil. Naquela hora eu estava ruim. Não vi sair sangue. O estrago era interno. A gente se deslocou para Mutum-Paraná, que é onde tem a UPA. No caminho, em cada trepidada que o carro dava, eu sentia uma dor insuportável. Em Mutum-Paraná eu apaguei”, diz.

No hospital

 

Os primeiros atendimentos médicos que o tenente recebeu aconteceram em Mutum-Paraná. Depois, ele foi encaminhando para o Hospital João Paulo II, em Porto Velho. Uma equipe médica cirúrgica já o aguardava. Ferraz passou por três grandes cirurgias de laparatomia – com a abertura da cavidade abdominal – em uma semana.