Fatores de risco

Anticoncepcional com estrógeno é apontado como fator de risco

Anticoncepcional com estrógeno é apontado como fator de risco

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O anticoncepcional oral com estrogênio na composição é um dos fatores de risco para ter AVC. Isto porque, explica o médico, diferente do hormônio natural do organismo da mulher, essa “dose extra” promove alterações significativas no mecanismo de coagulação do sangue, facilitando a formação de trombos podem entupir um vaso sanguíneo.

No entanto, Tanus recomenda que as pacientes que fizerem uso desse tipo de medicação sempre converse com seus médicos.

“Não quer dizer que você não pode usar. Cada paciente tem que ter um tratamento individualizado, analisar os prós e contras.”

Além do anticoncepcional, gestação, enxaqueca, obesidade e tabagismo são considerados fatores de risco para acidente vascular cerebral.

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AVC aos 29 anos

Em 2019, quando vivia na Austrália, Raquel Malafaia começou a se ter alguns sinais de que algo não ia bem, mas passou cerca de um mês sem dar muita atenção.

“Eu comecei a sentir muita dor de cabeça do lado esquerdo, na parte do olho, uma dor bem profunda. Eu achava que era cansaço. Depois, apareceram outros sintomas, uns formigamentos que vinham e iam embora, na cabeça, na bochecha, nas costas, na língua, nos dedos da mão direita… e aí comecei a ter fraqueza na mão, a ponto do meu celular cair da mão”, lembra a jovem.

Quando o braço direito ficou dormente, ela foi ao médico, mas teria que pagar o equivalente a R$ 2.600 por uma ressonância magnética da cabeça.

Exames confirmaram AVC de Raquel

Exames confirmaram AVC de Raquel

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Sem dinheiro naquele momento para pagar, Raquel decidiu esperar os resultados de exames de sangue e urina. O médico não teve objeções, e ela voltou para casa ainda sem força no braço.

“No dia seguinte, acordei e fui tomar banho. Quando fui levantar meus dois braços para lavar o cabelo, não conseguia levantar. Saí do banho e falei para a menina que morava comigo que tinha alguma coisa de errado acontecendo, mas minha língua travava, não acompanhava o meu raciocínio”.

A colega chamou uma ambulância, que chegou em 10 minutos. Raquel foi levada para um hospital e descobriu que não havia tido apenas um AVC, mas cinco naquelas semanas anteriores.

“A dor de cabeça e os formigamentos que eu estava sentindo já eram pequenos AVCs”, conta.

A jovem passou cinco dias internada, dois deles sem mexer o braço e falar. Rapidamente ela se recuperou, sem precisar de fisioterapia e fonoterapia.

“Na época, eu tomava pílula anticoncepcional há 15 anos e fumava. Eles me disseram que essa não foi a causa específica, mas fui diagnosticada com uma síndrome rara, chamada Moyamoya. Em algum momento da minha vida, minhas carótidas da cabeça do lado esquerdo ficaram mais estreitas, e aí meu sangue passa com mais dificuldade. Claro que os fatores de risco aceleraram.”

Sintomas e tratamento precoce

Apesar de Raquel ter sentido dor de cabeça, o AVC isquêmico não costuma apresentar dor, explica Elias Tanus.

“O AVC isquêmico, infelizmente, não dói. Quem não sabe o que está acontecendo acaba perdendo tempo de tratamento porque fica na expectativa de que a força da mão vai voltar, a fala vai melhorar. A pessoa acaba perdendo tempo de tratamento por não sentir dor.”

Os sintomas variam de acordo com a área do cérebro onde ocorre o entupimento do vaso sanguíneo.

Normalmente, os pacientes podem apresentar sensação de fraqueza ou dormência em um lado do rosto ou do corpo, dificuldade para falar, engolir ou para entender o que as pessoas dizem, confusão, perda da coordenação e pontos cegos na visão.

Saber identificar os sintomas de um AVC é essencial para conseguir o tratamento rápido. Assim como em um infarto, quanto antes você chegar ao hospital, menor a chance de ter complicações.

“O tempo para o tratamento não está relacionado à idade do paciente. O tratamento ideal é que o paciente receba medicação para tentar dissolver esse trombo em até quatro horas do início dos sintomas. Se o remédio não conseguir diluir esse trombo, tem que ir por dentro da artéria e retirá-lo em até seis horas.”

Saiba quais são os sinais do AVC, no qual atendimento rápido é decisivo:

O acidente vascular cerebral, mais conhecido como AVC, é a segunda maior causa de mortes no mundo. O neurorradiologista José Guilherme Caldas, do Hospital das Clínicas de São Paulo, explica que o problema pode ter duas causas: a falta de sangue no cérebro, que provoca o AVC isquêmico, e a ruptura de um dos vasos sanguíneos cerebrais, o AVC hemorrágico. De acordo com o médico, uma em cada seis pessoas poderá ter AVC durante a vida e, a taxa de AVC hemorrágico é mais comum entre as mulheres (60%) contra 40% dos homens. Já o AVC isquêmico não apresenta diferença entre os sexos*Estagiária do R7 sob supervisão de Deborah GianniniO AVC isquêmico é causado pela obstrução das veias ou artérias, impedindo que o sangue chegue ao cérebro. O médico explica que o problema pode ser causado por colesterol alto, cigarro ou defeitos químicos, que fazem com que o paciente apresente mais coagulações
Já o AVC hemorrágico é provocado pela ruptura de uma das veias do cérebro, podendo causar danos cerebrais. A consequência é a perda de alguns movimentos e funções, que pode ser de maneira temporária ou permanente. Entre os fatores de risco estão hipertensão descontrolada, cigarro e obesidade