Servidores estaduais do Rio de Janeiro disputam cestas básicas distribuídas por movimento

Mantimentos não foram suficientes e pessoas saíram do local sem alimentos

RIO — Uma multidão de servidores públicos do Estado do Rio — ativos e aposentados — formaram uma extensa fila ao redor de um prédio no Centro da cidade, na manhã deste sábado, em busca de cestas básicas. Com os salários de maio, junho e parte do décimo terceiro atrasados, cerca de 200 mil servidores estão passando dificuldades financeiras. A iniciativa do Movimento Unificado dos Servidores Públicos (Muspe) conseguiu juntar pouco mais de 500 cestas básicas e muita gente acabou saindo do local sem nada para comer.

Uma delas foi a professora Marilza da Conceição Apparecida, de 79 anos. Aposentada desde 1985, ela conta que nunca viveu uma crise financeira tão grande como a que está enfrentando atualmente. Para conseguir sobreviver, a idosa diz que precisa colocar em prática um outro dom: o de cantora.

Hoje estou com a minha vida financeira completamente acabada. A minha sorte é que moro em um apartamento próprio, que consegui comprar com meu trabalho como cantora. Mas quem olha a minha despensa ou a geladeira até se assusta. Para se ter uma ideia, estou conseguindo me alimentar, porque uma amiga me emprestou R$ 200. Nunca imaginei que fosse viver nessa dificuldade. Consigo tirar um dinherinho, quando me contratam para cantar em algum evento, mas até isso está se tornando difícil — conta Marilza, que trabalhou como professora de matemática e ciência em colégios estaduais da Baixada Fluminense.

Uma das primeiras a chegar no local, a educadora social Dijacen Silva, de 57 anos, que trabalha na Faetec de Quintino, na Zona Norte do Rio, disse que está afundada em dívidas e se sentiu aliviada por conseguir pegar alguns quilos de alimentos:

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— Estamos enfrentando uma situação que nunca imaginei que fosse passar. Estamos há 22 meses passando por muitas dificuldades para receber. Agora, estou sem o meu salário de maio e junho. Quem consegui viver assim? Estou enfrentando dificuldades financeiras pesadas. Estou dependendo da ajuda dos meus irmãos e minha mãe para conseguir viver. Estou com todas as minhas contas atrasadas. É desesperador e humilhante. Essa é a segunda vez que ganho uma cesta básica — disse a educadora, descrevendo o que recebeu: — Aqui na minha bolsa tem arroz, feijão, óleo, macarrão, sardinha e farinha. Como na minha casa só vivem eu e minha mãe, a comida dará para o mês todo. Mas queria perguntar ao governador Pezão se ele conseguiria viver com apenas isso?

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O presidente da Associação dos Servidores do Ministério Público do Estado do Rio de Janeiro, Flávio Sueth, que é um dos voluntários do Muspe, disse que o retorno desta vez foi menor que o registrado na campanha do ano passado. No final de 2016, o movimento arrecadou 150 toneladas de alimentos, o equivalente a cinco mil cestas básicas.

— Essa crise financeira tem nos deixado muito preocupados. Mas estamos fazendo um apelo para que grandes empresários e também entrem nesta campanha e nos ajudem com alimentos e produtos de limpeza. São mais de 200 mil servidores passando grandes necessidades financeiras e se o estado não pode fazer nada, não podemos deixar essas pessoas na mão — afirmou Flávio Sueth.

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